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E no entretanto o dia nasce.
Saio para a rua e tento fundir-me na multidão que caminha de encontro a mim. Que caminha ao meu lado. Que caminha.
É quase dia. Pelas frinchas da janela entreaberta a luz.
O coração continua a bater, mas agora quase inaudível.
A dor continua lá. Imutável. No fundo mais fundo do corpo.
Mas o sono não vem. As pálpebras cerradas a forçar o sonho.Nada. Apenas o coração como um tambor desordenado.
O silêncio não é apenas silêncio. É barulho também. Barulho que ensurdece. Que desespera.Levanto-me a vou à janela.A mesma sensação do viaduto. Do precipício.Escolho entrar. Tento de novo a acalmia do sono.
Acordo a meio do sono.
Salva pelo sonho desperto para o que é real.
A dor.
O vazio.
Agora já não há silêncio. Há um turbilhão à minha volta. Há um não regresso ao conforto do sono. Do esquecimento. Do nada.
Aos poucos a respiração não se faz sentir, o coração parece que não bate, o sangue congelou.Penso nos abismos dentro de mim.Mas em vez de abismos o vazio. Penso que no centro do abismo não há dor, mas sim vazio. E silêncio.Tento então dormir.
Abro a porta. Entro em casa.
A sala vazia. As paredes a esmagarem-me. Deito-me no sofá e tento a anestesia.
Fecho os olhos.
Tapo os ouvidos.
Não ver nada. Não ouvir nada. Não sentir nada. Não pensar em nada.
Nada.